Construindo Sonhos: LabOP (Laboratório de Operações e Processos)

Por Edenilson Filho

O curso de Engenharia Química, da forma como é estruturado hoje na UFMG, traz uma abordagem mais teórica dos assuntos lecionados. Além disso, os alunos possuem uma baixa proximidade com a engenharia durante o ciclo básico: o contato mais próximo durante os quatro primeiros períodos é apenas a disciplina de Introdução à Engenharia Química. Fatores como esses contribuem para a desmotivação e a falta de identificação dos estudantes com o curso, o que fica evidente nas constantes reclamações e no alto índice de abandono.

A missão da Mult Jr, no atual Planejamento Estratégico, é de “desenvolver profissionais transformadores por meio da vivência empresarial, concretizando os sonhos dos empreendedores brasileiros”. Pode-se perceber uma relação entre a nossa missão e a atual situação do curso de Engenharia Química: o desenvolvimento dos profissionais transformadores é muito mais dificultado em um ambiente em que eles se sentem desmotivados com a sua graduação. Apesar disso, um questionamento relevante é acerca da nossa capacidade de impacto: como nós, como Empresa Júnior, podemos influenciar e modificar o nosso curso? Como nós podemos gerar um impacto que se estenda a estudantes externos à nossa empresa?

Além da dificuldade de gerar um impacto externo, a Mult também enfrentava, até o ano passado, dificuldades para proporcionar um ambiente propício ao desenvolvimento dos seus próprios membros por conta da falta de um local fixo para a realização de projetos. A empresa dependia da utilização de laboratórios de professores do Departamento de Engenharia Química, em um esquema de favores. Essa conjectura limitava a nossa efetividade, uma vez que nem sempre podíamos contar com os laboratórios, além do fato de eles ficarem muito distantes da sala da Mult, gerando um problema de deslocamento de pessoas e materiais.

Em meio a esses questionamentos acerca da nossa capacidade de impacto interno e externo, uma oportunidade inesperada surgiu para nós. Um dos professores do Departamento de Engenharia Química, Marcelo Cardoso, estava interessado em firmar uma parceria com a Mult Jr para gerenciar o Laboratório de Operações e Processos (LabOP). A intenção do professor era que, com a parceria, nós conseguíssemos popularizar o LabOP, configurando-o como um laboratório escola, com livre acesso para todos os alunos.

A proposta do Marcelo era tentadora, mas ao mesmo tempo arriscada para a Mult. Será que nós conseguiríamos de fato fazer uma boa gestão de um laboratório, algo nunca feito antes pela nossa empresa? Qual seria o nosso esforço despendido? Uma parceria desse tipo não fugiria do nosso escopo como EJ?

Apesar das dúvidas que nos assolavam, estávamos cientes de que aquela era a chance que nós tanto esperávamos para causar mudanças na realidade do curso e da empresa. Diante disso, aceitamos o desafio, designando uma equipe para ficar responsável pelo gerenciamento do LabOP.

Primeiro Semestre de Gestão do LabOP

A equipe de gerenciamento do LabOP era composta, no total, por cinco pessoas. Tanto o gerente quanto os demais membros da equipe possuíam uma dedicação parcial com relação às tarefas, alternando-as com os demais deveres da Mult. Os principais enfoques dessa primeira equipe estavam no gerenciamento da infraestrutura, na divulgação para os alunos, e na prospecção de parcerias.

Logo no início da gestão, pôde-se notar um aumento da movimentação no laboratório, o que tem relação direta com os esforços de divulgação despendidos pela equipe da Mult. Ao mesmo tempo, o LabOP começou a se tornar o “lar” dos nossos projetos, diminuindo as dificuldades com relação à falta de um local fixo adequado para a realização desses.

Em termos de infraestrutura, a equipe buscou organizar melhor o laboratório, otimizando o espaço e a gestão dos materiais. Os membros criaram uma planilha de inventário, para que todos os itens fossem devidamente mapeados, e fizeram também uma planta do laboratório.

Planta do LabOP.

No âmbito das parcerias, a equipe buscou contato com diversos professores do Departamento de Engenharia Química, oferecendo a estrutura do laboratório para a realização de aulas práticas. Além disso, o gerente participou da feira de mineração Exposibram junto com o professor Marcelo, divulgando o LabOP para possíveis parceiros.

Apesar dos bons resultados, a equipe de gerenciamento do LabOP enfrentou algumas dificuldades, como a falta de definição de objetivos. Já que não havia nenhuma formalização escrita da parceria, a equipe não sabia exatamente o que deveria entregar e, por isso, não tinha uma estruturação muito bem definida de atividades.

Ao final do semestre, com a alta alocação com atividades do curso e da Mult, a disponibilidade da equipe para o gerenciamento do LabOP diminuiu. Esse fator, aliado à falta de delimitação da parceria e de objetivos, culminou em uma divergência de expectativas com as partes interessadas. Ao verem o laboratório desorganizado e sujo, o professor Marcelo e o monitor de Operações Unitárias A expressaram uma veemente insatisfação, o que os fez questionar a parceria com a Mult ao final de 2017.

Segundo Semestre de Gestão

Em meio à instabilidade gerada, a Mult resolveu mudar a sua forma de encarar a parceria no primeiro semestre de 2018, dando um maior enfoque a ela. Nós passamos a designar um gerente com dedicação exclusiva ao LabOP, mantendo outros quatro membros na equipe. O Marcelo queria que nós fôssemos, de fato, donos do LabOP, e nos dava autonomia para gerenciarmos livremente o laboratório, e foi isso que nos propusemos a fazer, abraçando o sonho dele.

Além disso, passamos a encarar o LabOP como um de nossos projetos, sujeitando ele a processos de gerenciamento de custos, aquisições, recursos humanos, riscos, stakeholders, entre outros. Para poder executar essa gestão adequadamente, fizemos uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP) e um cronograma para todo o semestre, com atividades e objetivos bem delimitados. Como em todo projeto, tínhamos um cliente a atender, e, no caso do LabOP, os clientes eram simplesmente todos os alunos de Engenharia Química da UFMG.

Planilha de Gerenciamento de Projetos da Mult aplicada ao LabOP.

O planejamento das ações da equipe de gerenciamento do LabOP foi segmentado em quatro macroáreas: Capacitação da Equipe, Parcerias e Eventos, Infraestrutura e Gerenciamento das Redes Sociais.

Capacitação da Equipe

Para que pudéssemos gerenciar adequadamente o laboratório, nós precisaríamos de um certo conhecimento técnico acerca de Operações Unitárias. Diante disso, a nossa equipe iniciou um processo de autocapacitação já em janeiro, por meio da leitura de materiais sobre o assunto. O processo de capacitação foi concluído com um treinamento de três horas ministrado pelo monitor de Operações Unitárias A, que trouxe uma abordagem mais prática dos equipamentos presentes no LabOP.

Parcerias e Eventos

Nós precisávamos criar uma identificação dos alunos com o laboratório, e uma das formas que encontramos de fazer isso foi por meio da construção de um novo logo para representar o LabOP. A nossa equipe criou dois modelos, e os pôs em votação aberta a todos alunos do curso de graduação. Na figura a seguir, está ilustrado o logo escolhido.

Novo logo do LabOP. O formato do logo é uma referência à modernidade; o bécker simboliza a operacionalização; e o vórtex no seu interior remete ao equipamento ciclone, presente no LabOP.

Nós intensificamos também a busca por parcerias com os professores do Departamento de Engenharia Química. A estrutura foi utilizada em diversas aulas práticas e projetos das disciplinas de graduação.

Além disso, o nosso planejamento contava com a organização de um minicurso gratuito e aberto a todos estudantes de Engenharia Química no LabOP. Pretendíamos que alunos que já passaram pela disciplina de Operações Unitárias A fossem os responsáveis por ministrar esse minicurso, e eles toparam o desafio. Um evento desse tipo seria uma ótima oportunidade para que os alunos de graduação, principalmente aqueles pertencentes ao ciclo básico, tivessem um maior contato com o curso. Para buscar um maior alcance, e um maior impacto, nós firmamos uma parceria com o Grêmio de Engenharia Química Lourenço Menicucci Sobrinho (GEQLMS), que nos auxiliaram na organização do minicurso.

Infraestrutura

Para zelar pelo espaço que estávamos gerenciando, nós tomamos algumas ações, como a criação de manuais de operação dos equipamentos e a implementação de um sistema de reservas online. Essas atividades contribuíram para a democratização do acesso ao LabOP, uma vez que qualquer aluno poderia efetuar uma reserva e operar um equipamento, com auxílio do manual e com supervisão de membros da Mult.

Outra preocupação importante era com a limpeza e a organização do espaço. Para auxiliar com essas necessidades, nós convocamos toda a empresa. Cada um passaria a ter um horário fixo a ser cumprido no LabOP. A intenção era instituir um horário de funcionamento, no qual qualquer aluno poderia utilizar o laboratório, supervisionado por um de nossos membros. Além disso, convocamos os MULTrões, nos quais todos os membros da Mult disponíveis iam ao LabOP para uma limpeza e organização geral.

Redes Sociais

Se a nossa intenção era democratizar o acesso ao LabOP, nada mais justo que utilizar as redes sociais para a sua divulgação.

No início da nossa gestão, o LabOP já contava com uma página no Youtube e uma página no LinkedIn. Diante disso, os nossos objetivos com relação a essas duas redes sociais foram mais pautados na atualização das informações e do conteúdo, além da busca por um maior alcance.

Além das redes sociais já utilizadas, nós decidimos incluir, no planejamento, a criação e o gerenciamento de uma página no Facebook e de um site. Essas duas plataformas nos possibilitaram um contato ainda mais próximo com alunos e professores, aumentando o nosso alcance e o nosso impacto.

Resultados e Perspectivas para o Futuro

Após a reestruturação da forma como enxergávamos e gerenciávamos o LabOP, nós conseguimos perceber ótimos resultados. Ainda no primeiro semestre de 2018, já podemos notar uma maior satisfação do professor Marcelo e do monitor de Operações Unitárias A. Se eles começaram o ano desconfiados, e até incertos sobre a parceria, hoje eles demonstram confiar na nossa equipe ao nos dar uma alta autonomia para gerir o laboratório.

A execução das nossas atividades planejadas também foi essencial para aproximar os alunos de Engenharia Química do LabOP. A movimentação no laboratório aumentou veementemente, e o sistema de reservas tem funcionado bem como plataforma de controle do acesso. Um dos objetivos do Marcelo é democratizar o LabOP, e esse aumento no número de pessoas que o utilizam demonstra que a nossa gestão está caminhando no sentido certo.

No começo deste case, foram citadas algumas questões que contribuem para a desmotivação de alunos de graduação em Engenharia Química na UFMG. O gerenciamento do LabOP provou que nós, como Empresa Júnior, podemos sim atuar sobre esse problema. A parceria contribuiu para que cumpríssemos com a nossa missão de “desenvolver profissionais transformadores por meio da vivência empresarial, concretizando os sonhos dos empreendedores brasileiros”, gerando um impacto positivo para membros internos e externos à nossa empresa.

Com a gestão do LabOP, nós temos um local fixo para a realização de grande parte dos nossos projetos e, ao mesmo tempo, temos um canal de contato direto com todos os alunos do curso, podendo afetar diretamente a experiência acadêmica deles. A parceria Mult-LabOP começou cercada de incertezas, mas hoje ela traz vantagens para ambos os lados, e uma boa perspectiva de crescimento.

A alta liberdade de gerenciamento conquistada pela Mult neste semestre nos fez pensar em algumas possibilidades para o futuro. A próxima equipe certamente terá uma alta autonomia e um ambiente mais estável, para que possa estabelecer propostas ainda mais inovadoras que as deste semestre.

Uma possibilidade a ser explorada pela próxima equipe é a de expansão da infraestrutura. Diante da alta demanda dos nossos clientes por projetos nesta macroárea e da disponibilidade de espaço no Centro de Tecnologia da Mobilidade (onde está localizado o LabOP), a ideia seria criar um anexo específico para projetos envolvendo alimentos. Essa possível expansão seria extremamente significativa, revolucionando a capacidade de realização de projetos da Mult.

O professor Marcelo sempre comenta que nós devemos ser inovadores no gerenciamento do LabOP, e a confiança é a base para que nós ousemos sempre ir mais longe. Os resultados alcançados até aqui nos inspiram a querer mais, e é isso que a Mult deve sempre ter em mente com relação à parceria com o LabOP.

Ficou com alguma dúvida? Quer desenvolver algum projeto no LabOP? Entre em contato conosco, será um prazer ajudá-lo!

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